E há dias em que questionam o silêncio, perguntam se ficar
quieta vai resolver alguma coisa. O que não entendem é que o silêncio não é
para os outros; é uma pausa interna, é a maneira de arrumar a bagunça.
Às vezes, o barulho está tão alto do lado de dentro - tantas
vozes, tantos pensamentos, tantas emoções - que é difícil colocar tudo em prateleiras
de uma vez. Calar o externo é uma forma de organizar a casa, porque um lar
bagunçado não flui.
E nem sempre é por uma razão única. Muitas vezes são tantas
abas abertas que a máquina para por alguns instantes, tudo trava, e é preciso
reiniciar para que as coisas voltem a funcionar da maneira necessária.
Quando tudo começa a voltar para o lugar, aos poucos, de
forma leve, a voz é retomada e as portas são reabertas. O acesso é liberado,
mas com limites. Quem chega pode visitar, mas sem abrigo, porque, enquanto a
casa é organizada, só há espaço para quem cuida dela.

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